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da série 'leituras na madrugada'

"quando a gente envelhece, os afetos contam mais que os conceitos." segundo montalbano, personagem de andrea camillieri, no livro 'o cheiro da noite'.

fúria!

ao usar o transporte coletivo, sou submetido à preferência efeêmica (às vezes aêmica/anêmica) do condutor. hoje, o azulzinho q me transportou ecoava uma das rádios mais idiotas q já ouvi. e um dos programas mais ridículos q também já ouvi, mas q é O mais ouvido no horário - segundo informações contabilizadoras. daí, um dos protagonistas comentou sobre a frase da bandeira brasileira - para quem não lembra, 'ordem e progresso' - dizendo q só há retrocesso na sociedade nacional. fiquei a me perguntar, enquanto transitava sob os plátanos da montaury e da baréa: e daí? qual a contribuição de tais sujeitos, fazendo piadinhas, às vezes escrotas, discriminadoras, disfarçadas em humor? tô de saco cheio deste tipo de situação. se os políticos dão risadas em relação aos atos q assumem, não é diferente. profissionais se escondem por detrás de personagens 'bem-humorados' para fazer chistes quanto à situação do país, mas o q transmitem nada acrescenta - melhor, acrescenta, si...

janelas de galeano

a vida me conta histórias, me encanta a cada esquina, a cada rua me surpreendo. é contínuo: com as árvores com que me encontro, com as pessoas para as quais dirijo meu olhar. ando ao léu, às vezes indo para o ceu outras em direção ao inferno. a gente pensa. logo, sente angústia. e então é esse oscilar frequente, esse bioritmo, essa sensação sempre estranha - um périplo pela paixão e pela ausência dela. mas, a essência disso tudo repousa na promessa, na insinuação inominada de uma certeza de que tudo vai dar certo. do fundo do coração. o beijo é bom, o abraço é carinhoso, o corpo não é culpa, não é máquina, não é negócio. é só festa, como deve ser. e segue o baile. assim parecem ser as coisas. pelo menos parecem simples, pelo menos parecem doces, pelos menos assemelham-se àquela bondade infinita que queremos ter, de não pensar mal dos outros, de querer bem a todos, falar com todos, silenciar, ouvir, compartilhar. a noite ainda avança, melhor: recém começa. caem noites dentro ...

leitura

nos últimos dias releio, sempre q posso, camillieri. a ficção deste italiano equivale a de outro "italiano" (pois nasceu em cuba) q muito me agrada: calvino. as descrições dos personagens, montalbano e agilulfo... (respectivamente), são encantatórias. se, por um lado, camillieri descreve-os na rotina de investigações policiais, gastronômicas e afetivas - cotidianas e banais, portanto, coisas q parecem não importar mais -, calvino me transporta para um mundo delírico, com algumas construções q atingem o plexo: "Livro, chegou a noite, comecei a escrever mais rápido, do rio não chega nada além do roncar distante da cascata, na janela voam mudos os morcegos, ladram alguns cães, ressoam vozes nos depósitos de feno. [...] É na direção da verdade que corremos, a pena e eu, a verdade que espero vir ao meu encontro, do fundo de uma página branca, e que poderei alcançar somente quando a golpes de pena conseguir sepultar todas as preguiças, as insatisfações, o fastio que vim aq...

aqui, ó!

tem dias em q nada parece funcionar. e, na verdade, nesses dias as engrenagens silenciosas continuam engendrando os grandes planos da humanidade. a ânsia pelo novo movimenta a areia movediça sobre a qual nos encontramos: é só prestar atenção. sob o manto de silêncio q nos encoberta (apesar do ruídos dos automóveis e dos vizinhos do andar de cima; da paspalhice do sertanejo universitário e do tatibitati irritante dos corredores) é possível perceber q algo maior está sendo construído, antes q nos tornemos ausência. saber de ti é um dos motivos q fazem a roda girar. não saber de ti cria a sensação de um vácuo existencial em q não se encontra-se palavras para descrever. ainda q a distância faça bem e seja vital para q as pequenas e grandes coisas se acomodem, ela dá a real sensação de q somos dois e q, para ser um, é preciso muito mais do q apenas querer. movimento-me pelas calçadas úmidas pela neblina deste inverno q principia. as marcas do meu calçado se desvanecem rapidamente, m...

sábado

ontem o dia foi muito especial. só eu e ela sabemos o quanto. poderia descrevê-lo, mas não teria o mesmo encanto. hoje, domingo, fica o rescaldo. talvez para compensar a semana, quando as intrigas cotidianas crescem como ervas daninhas na ramagem do chuchu. os dias especiais são diferentes dos dias brancos. nestes, a mente parece q paira em nuvens e esquece do corpo físico, q  continua. fosse o cloud cibernético, seria outra história, outra paranoia. mas não, é a nuvem de verdade, q forma figuras ímpares e ajuda a desopilar um pouco o ranço dos compromissos e das mentiras, quando a gente se dá o direito de contemplá-las. ontem foi um dia especial. ela e eu sabemos muito bem. novas afirmações, novas perspectivas, sem pressa, mas com extrema intensidade. por isso a tarde passou rápida -  speed racer em suas aventuras nas sessões da tarde. só q o final ainda não é feliz. talvez porque ainda não seja o final. tenho q me conformar, tenho q aliviar a dor q sinto e p...

pois é!

nós, de novo. nós de marinheiro, nós suecos, nós de escoteiros, de bandeirantes, de tênis. nós cegos e nós. de novo. amarrados q estamos, sem conseguir desvencilharmo-nos. nós. no dia em q se lembra o meio ambiente, o nó da árvore, o ponto em q ela se decide se ramifica ou se fecha. nada é coincidência. não diga nada q não contribua para desamarrar o nó. não diga nada - esteja apenas, presente, quente, líquida. o nó de nós não deve nos nortear. o nó de nós deve nos nominar. ou não.