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Marcelo Labes (Blumenau, SC, 21.fev) Vento sul de qualquer forma sul como promessa de desengano melancolia grave de quando faz frio trópico de capricórnio redesenhado na garganta.
Luciana Assunção (Brasília, DF, 21.fev) Coletividade   Na praça fazem pose: pousam os passarinhos os anjos da infância e os flashes da natureza. Deambulam pombos e pessoas, beijos e bate-papos de porta-retratos. Na praça a noiva ensaia a lua de mel as fontes sorriem com uma úmida juventude. As rosas não falam, mas posam em primeiro plano. Os cães merecem e estão no céu amigos dizem xis livros são bem-vindos. Na praça há liberdade de ir, de vir e de contornar no sentido do relógio imaginário. Quem tem horas? Quer pipoca? Os sonhos em praça pública ganham a amplidão da coletividade.
Natália Agra (Maceió, AL, 20.fev)   Augúrios   Para W. B. Yeats   o mundo não está mais em bom estado cada um enterra o que é seu cada morte escolhida oculta o restante   nem  as prateadas maçãs da lua ou  as douradas maçãs do sol sobrevivem ao mistério inquietante   o mistério no pouso do corvo a floresta desesperada de sangue a flauta, onde, na densa fumaça, flutuam seus ossos   no acaso longo da vida nada pode impedir o perigo do agora mesmo que tudo, de algum modo, tenha um espectro trágico   calo os tempos difíceis com a mesma nuvem que resiste à violência x x
Marcelo Reis de Mello (Curitiba, PR, 20.fev) Deus ex machina   Boquinhas fechadas. Pálidas. Dentro, a escavação. Os escombros. Porque a boca é o sótão do corpo. E o que uma boca tem de mítico tem de ridículo. Não cabe nenhuma boca dentro de uma manga. Não há caroços brancos nos dentes. Os dentes são estalagmites e estalactites. A boca é sempre cavernosa. Os dentes são morcegos. A boca é notívaga. A boca parece um rato com asas. Numa boca cabe uma porção de terra. O caixão é pequeno, é um caixão de anões. Há muitas bocas numa morte pequena. Uma boca é uma grande cova sem mistério. É onde se enterra o silêncio. É onde se pesca o silêncio. É onde o mau hálito, é onde as obturações, é onde os vermes. Dentro, a escavação. Há muita coisa lá dentro, mas nenhuma imagem. As boquinhas fechadas dormem sem sonhar. Bocejos são seres fantásticos e contagiosos, mas o bruxismo gasta os caninos de madrugada e os cisos doem quando inflama...
Lia d”Assis (Caçapava, SP, 20.fev)   Ulisses   Estou tentando encontrar meu caminho para casa. A cada parada percebo mais cores desconhecidas alguns rostos meditativos distraem-me alheias palavras.   Estou tentando encontrar meu caminho em cada esquina habita mais um sábio, um artista há canções novas nos olhos do violonista.   Estou tentando encontrar em tortuosas ruas de bairros velhos inexistentes nos mapas perco-me novamente praças sem placas sem canteiros demarcados árvores viçosas e imóveis confirmam: a pressa é inimiga da diversão.
Herbert Emanuel (Macapá, AP, 20.fev)   Saboração   olhar agora para estas peras faz-me desejar comê-las de outra forma: salivar na boca a palavra pera deixar pingar um pouco na página depois recolhê-la com um leve toque dos dedos antes de secar
Frederico Barbosa (Recife, PE, 20.fev) Sem Você nenhuma metáfora traduz a falta nenhuma imagem exata faca encravada nesse silêncio dia sem dia piada sem graça acordar sem você me mata