Postagens

Zezão Castro (Camacan, BA, 27.mar) Tsunami na Bahia   Hoje um fato cataclísmico Assustou muitos baianos Muitos mudaram seus planos Temendo o evento sísmico Desequilíbrio organísmico Gerou muita hidrofobia Pois logo ao nascer do dia Sem ter válvula de escape: Ralaram o dedo no zap Tsunami na Bahia   Por aí escutando e vendo Narro as observações E as várias reações Que a população foi tendo Quis evitar mas me rendo Não quero gerar histeria Antes disso eu mesmo faço (“Xêu” amarrar meu “cadasso”) Tsunami na Bahia   Deu-se um tempo da política Sendo um hiato bem raro Nem Lula nem Bolsonaro Nem Ciro com sua crítica Essa notícia específica Deu no jornal, meio-dia Massa d’água invadiria Vindo das Ilhas Canárias Uma onda não, mas várias Tsunami na Bahia   O Cumbre Viejo nervoso Vulcão cuspindo fumaça E hoje com a bíblia na praça O pregador falacioso Narrava com ódio e gozo A sagrada profecia Ser...
Victor Heringer (Rio de Janeiro, RJ, 27.mar.1988 –  Rio de Janeiro, 7.mar.2018) Intervalo comercial entre duas comédias   sugiro que por trinta segundos você esteja alegre. faz calor, mas não importa. há um idílio, lido lento. a tevê anda desligada há muito você não se importa. há vinhedos pelo mundo, pelas terras deste mundo e os povos são todos você. há o quieto das tréguas das violências só as cigarras cantando porque morrem também.   já azedou o leite na geladeira? está devidamente servida a mulher que gosta de carinhos espontâneos? estão as nações todas confortáveis dentro de suas fronteiras? o que está para acontecer
Lota Moncada (Santiago do Chile, 27.mar) Prometeu pós-moderno um ponto no deserto se batendo sozinho em moto contínuo contra ventos e areias engasgado com palavras irreprimíveis e abissais o resistente Prometeu -pós-moderno e cansado-  descontinuou seu moto abriu as portas interiores saiu  gritou  e  vomitou
Imagem
Gastão de Magalhães (São Paulo, SP, 27.mar)  
Diego Ruas (Brasília, DF, 27.mar) Nunca fiz amigos bebendo sangue   Se quando os europeus invadiram essas terras despovoadas onde viviam mais de 3 milhões de índios eles tivessem apenas curtido uma praia e ido embora (como fazem hoje) Se ao invés de trazerem armas & germes & espelhos tivessem trazido somente o vinho, a história seria diferente?
Climério Ferreira (Angical, PI, 27.mar) sem versos   não há motivo algum pra que te faça versos   amo em ti:   teu corpo e a alma nele contida   teus cabelos em desalinho sobre a testa   as mil faces da tua cara a cada carícia   teu andar de animal em extinção ante o olhar atento do caçador   o ódio e o amor que nos separa / une dentro da noite
Affonso Romano de Sant’anna (Belo Horizonte, MG, 27.mar) Assombros   Às vezes, pequenos grandes terremotos ocorrem do lado esquerdo do meu peito. Fora, não se dão conta os desatentos.   Entre a aorta e a omoplata rolam alquebrados sentimentos.   Entre as vértebras e as costelas há vários esmagamentos.   Os mais íntimos já me viram remexendo escombros. Em mim há algo imóvel e soterrado em permanente assombro.