Benedicto Wilfredo Monteiro
(Alenquer,
PA, 1º.mar.1924 –
Belém,
PA, 16.jun.2008)
Vem da Amazônia esta Grande e Imensa Poesia
Vem da
Amazônia
este grande
poema,
esta grande e
imensa poesia
que inunda a milha
alma
como os campos
alagados...
Vem da terra
verde,
onde as mãos
das crianças,
acenando ao
longe,
parecem asas
de pássaros
cansados...
Vem da
planície verde
este grito
estranho,
este grito
bárbaro
que já rompeu
todas as florestas
e reboou em
todos os igapós.
Vem da
Amazônia,
este grito
forte
que tem a voz
nova das crianças
e a poesia
antiga
da voz dos
meus avós...
Traz a poesia
pacífica dos lagos,
a harmonia
bucólica dos campos,
e o mistério
lendário
das águas e
das matas.
Traz a voz do
caboclo
acompanhando o
rio
em tristes
serenatas.
Traz a voz do
machado rouco
roncando
dentro das selvas agressivas.
Traz o baque
da árvore caindo em terra
gritando e
rangendo,
na música
sublime das melodias vivas.
Traz o poema
das terras caídas,
que levam
vidas
e desfazem
lares.
Traz a
tristeza das matas
e a beleza do
céu
nas tardes
crepusculares...
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