Eduardo Alves Costa

(Rio de Janeiro, 6.mar)

 

Quero que o saibas

 

Quero que o saibas, linda Inês:

meu coração é português.

E dentro do peito fareja latidos

da alma que há muito me fugiu.

 

Ando sem alma, já se vê,

à procura de não sei quê.

Talvez um cheiro, uma cor, um som

– memória do tempo em que eu,

cidadão de Viseu,

vivia na bolsa seminal de meu pai.

 

O que foi ele buscar no mundo?

O azul profundo que há nos mares

quando se os tem interiores;

novos amores, terras mais vastas.

Não são assim os descobridores?

 

Pois meu coração é assim:

navegante à deriva, naufrago em mim!

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