Luís Augusto Cassas

(São Luís, MA, 2.mar.1953)

 

Um Pouco do Inferno de Dante no Paraíso de Milton

 

ah! sejamos incendiários

docemente incendiários

como o bofete de maiakovski

na face esquerda do czar

 

óleo diesel álcool 40 crepúsculo argelino

bomba h fissão nuclear fósforo pinheiro

ou coquetel molotov com chantilly

tudo é pavio para altear a chama

 

incendiemos a esquerda e a direita

incendiemos o centro o alto e o dentro

queime o fogo o Capitólio e as nuvens

e a face de Deus ganhe um belo bronzeado

 

mas queimemos tudo com charme

para que não haja alarde:

e a piolhenta barba do velho marx

crepite como vestido de joana d’arc

 

queimemos os democratas e os socialistas

queimemos os surrealistas e os porcos chauvinistas

queimemos os Vedas a Bíblia e o Alcorão

a página da História vire tocha olímpica

 

seja um espetáculo pirotécnico

de causar inveja a Nero:

certo de que o último a sucumbir

não apagará o fogo em seu xixi

 

ah! sejamos incendiários

docemente incendiários

como o bofete de maiakovski

na face esquerda do czar

 

o fogo queime o todo o tudo e o antigo

e faça brotar da casca do (n)ovo

e quem sabe então nasçamos rubros

mais rubros que a revolução de outubro

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