Patativa do Assaré
[Antônio Gonçalves da Silva]
(Assaré, CE, 5.mar.1909 – Assaré, CE, 8.jul.2002)
O Poeta da Roça
Sou
fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio
na roça, de inverno e de estio
A
minha chupana é tapada de barro
Só
fumo cigarro de paia de mio
Sou
poeta das brenha, não faço o papé
De
argum menestrê, ou errante cantô
Que
veve vagando, com sua viola
Cantando,
pachola, à percura de amô
Não
tenho sabença, pois nunca estudei
Apenas
eu seio o meu nome assiná
Meu
pai, coitadinho! vivia sem cobre
E
o fio do pobre não pode estuda
Meu
verso rastero, singelo e sem graça
Não
entra na praça, no rico salão
Meu
verso só entra no campo da roça e dos eito
E
às vezes, recordando feliz mocidade
Canto uma sodade que mora em meu peito
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