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morro

q cidade! sem o encanto de são francisco, mas com suas ladeiras (lombas?). sem a cultura, mas com o aculturamento. cláudio moreno foi feliz em escrever q nosso medo maior é a predominância dos sobrinhos do tio sam em nossos hábitos. mas sequer conhecemos macunaíma! nem reconhecemos capitu e pedro malasarte! fazer o q? "tá na hora de dormir." não espero mamãe mandar - como sempre. "um bom sono pra v, um alegre despertar."

outsider

depois das 23h, tudo muda. os sons são outros, a vida se expressa de outra maneira. falar de ariel e caliban é incorrer em um erro temporal, já q o mundo não se contradiz. o torpor é grande, como é amplo o ícone das possibildades - apenas tecle. já não estou aqui, embora meu corpo permaneça nesta cadeira. te vejo em outras instâncias, embora tu me veja nas mesmas . não é repetir, é aflorar! é deixar q a corrente sanguínea bombeie para o coração tudo aquilo de bom q estava presente no ambiente. fique bem, meu amor. tudo é perspectiva - afinal, eu vejo daqui, tu vê dali. e, assim, quem vem de trás não sabe o q pensa o q vem da frente e viceversa. e tudo continua, com sombras e dúvidas. e, por ora, meu amor está em outra, e eu estou aqui. e, se não soar tão arcádico, eu diria q este amor é impossível. e pensar em ariel e caliban é contrapor a modorra dos dias casuais. (sendo assim, prefiro afastar-me.)

carta de um náufrago do asfalto

pois é. há coisas q realmente fogem da compreensão imediata. isto pq, parece-me, criamos certas barreiras para justificar nosso entendimento das coisas q estão por aí, soltas no fluido universal, é verdade. acostumamo-nos a ver a vida de determinada forma e isso 'gruda' em nossas mentes q a mudança implica em abstinência total de hábitos. pq temos a mania de nos comprometer em fazer uma ligação a tal horário e deixamos a pessoa à espera, angustiada para saber notícias? pq afirmamos um amor incomparável e, de repente, alegamos q surgiu um compromisso inadiável em função dos anos de contenção? pq deixar à deriva o navio q nos conduziria a um paraíso idílico, longe das complicações q nos atacham ao chão, como os panos de calafetagem dos porões? sei lá, ceilão... coisas mínimas, como lembra o mexicano hiriart. "os simulacros [...] consistem em supor - o famoso 'e se ...' das crianças - e na arte de supor reside muito dessa faculdade misteriosa que chamamos d...

sexta sem sesta

acordes mentais detonam o pedal da guitarra de scandurra e nasi ecoa entre meus neurônios: "eu morreria por você / na guerra ou na paz / eu morreria por você / sem saber como sou capaz, como sou capaz..." assim caminho, como sempre caminhou a humanidade. por corredores vazios e por ruas abarrotadas de sonhos e intenções, desejos e frustrações. gostaria de um dia ao teu lado do q mil anos sem sentido, mas as escolhas têm seu preço. então, faço uma imersão na rede neural da sociedade e atalho minha sobriedade com palavras q não devem fazer muito sentido para quem está do outro lado. a ideia é q alguém descubra uma pérola no lodo e perceba q aqui dentro também bate um coração... aguardo em uma sala deserta por amantes da poesia. esta "emoção congelada", como diz trevisan, q ainda não despertou da criogenia cultural, digo eu. mesmo q o poeta sirva a língua, ele parece não servir - como diz o parceiro leminski: poesia é inutensílio. não serve para nada! a não ...

para ti

às vezes gosto da brisa. outras, da ventania. às vezes, prefiro a solidão. outras, a companhia. às vezes, anseio teu beijo, outras, acomodo meu desejo. às vezes fico inquieto, outras, me aquieto. às vezes percorro a cidade, outras, acolho a ansiedade. às vezes, suspiro. outras, só respiro. às vezes penso na vida. outras, lambo as feridas. às vezes, escrevo. outras, transcrevo. às vezes, crio. outras, transpiro. às vezes só o amor me consola. outras, prefiro só um jogo de bola. às vezes, me sinto cansado. outras, me vejo um relaxado. às vezes, deixo a barba crescer. outras, penso apenas em ser. às vezes, sonho. outras, o sonho se torna medonho. às vezes, ando no ritmo. outras, sinto a arritmia invadir meu peito me deixar sem jeito só por estar ao teu lado. às vezes, é tudo. outras, é só um bocado. e assim, caminho em direção ao fim. intenso - penso - denso... propenso ao desvario, sim.

folhas amarelas

é possível que as mesmas coisas tenham acontecido em outras circunstâncias. sim, são as mesmas coisas ainda, ainda que os tempos sejam outros. isso nos remete à questão da circularidade, do eterno retorno, do yin e do yang, do movimento natural que é a propriedade das pessoas e das coisas. mas como fica a nossa noção de que o presente não existe? se o futuro é algo que etá por vir e o passado deixou de existir (numa linha imaginária), o que temos para lidar, para manusear, além da sensação de fragilidade que nos acomete diante de um revés? com certeza não são mais os cubos pedagógicos no chão acarpetado de uma maternal. o consumo de crack e a guerra em kosovo não nos chocam mais? dirá alguém que temos problemas maiores a resolver ao nosso redor. mas se o mundo é (está) globalizado, ninguém deveria ficar indiferente ao drama de meio milhão de albaneses à deriva, entregues à dor. caso contrário, a indiferença tomou proporções assustadoras, corpos e mentes anestesiados nesta aldeia global...

e?

estou à deriva no oceano das possibilidades afetivas, afeito aos poetas simbolistas q imprimiram marcas indeléveis em minh'alma. estou atento aos passos miúdos do Angorá q me espreita com seus olhos faiscantes, e sorrateiro. estou implicado com a subjetividade das pessoas q me cercam, egoístas, enredadas q estão com suas assertivas, tanto q não percebem a subliminaridade de seus gestos, fakes/simulacros em um cenário surreal onde os personagens se entendem sem saber o q sentem. estou na leveza do ser, insustentável talvez, mas q, na instabilidade, permite observar o mundo por outro viés, precário como as emoções e imprevisível como deve ser. estou, e basta, integral e minimamente íntegro; meu coração ainda está exposto, meu espírito flana livremente pelas esquinas da cidade - por mais q me batam, basta saber de ti para sorrir.