O carioca WLADEMIR DIAS-PINO nasceu no dia 24 de abril de 1927, mas como seu pai encontrava-se preso por motivos políticos (por estar ligado ao movimento anarquista), ele foi registrado em 2 de maio. Participou, com Augusto de Campos, Haroldo de Campos (1929-2003) e Ferreira Gullar (1930-2016), da Exposição Nacional de Arte Concreta de 1956. Foi um dos líderes dos movimentos de “vanguarda natural”, que ocorreu no processo evolutivo do modernismo, autor do manifesto “Parada – Opção Tática” (1972), publicado na 2ª edição de Processo: linguagem e comunicação, em 1973.
Antes disso, quando a família mudou-se para Cuiabá (MT), onde ele permaneceu até os 24 anos de idade, conheceu o poeta Manoel de Barros – Dias-Pino seria um dos responsáveis pelo início da divulgação da obra do poeta matogrossense.
O primeiro livro de Dias-Pino, Os Corcundas, foi impresso em 1939 aos 12 anos de idade, e reimpresso em 1954, passando a ser considerada a data de publicação original. O experimentalismo, do qual pertence Dias-Pino – que se considerava um “pensador gráfico” –, abrange as produções da tríade concretista, a poesia práxis, fundada por Mário Chamie (1933), e o poema-processo. No final da década de 1950, Dias-Pino, principal representante de uma segunda vanguarda, liderou o movimento artístico cuiabano denominado intensivismo.
Em 1948 escreveu o poema “Dia da Cidade”, em “que trabalha a desconstrução da linearidade e ordinalidade da escrita, propondo uma multiplicidade de direções e planos de leitura”; a partir dele, “o leitor percorreria os textos da mesma forma que o pedestre anda na cidade”, dizem Mendonça e Sá (1983, p. 88).


Em 1952 retorna ao Rio de Janeiro e, em 1956, apresenta A ave; com 300 exemplares impressos manualmente, é considerado o primeiro poema semiótico da literatura mundial, que mantém compromisso conceitual com o intensivismo. Com este e outros trabalhos, participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta, no MAM/SP (dezembro de 1956); seus trabalhos são os únicos poemas sem palavras da exposição e foram reconhecidos por Décio Pignatari, posteriormente, como precursores. Além de A Ave, Dias-Pino é autor de dois outros livros fundamentais da literatura brasileira: Solida (1956-1962) e Numerários (1961), entre outros, além de ser autor de poemas eletrônicos e de ser responsável pela incorporação de motivos geométricos no carnaval de rua do Rio de Janeiro.
Com um grupo de poetas jovens, funda em 1967 o movimento do poema-processo, com núcleos em Recife e Natal – a partir das discussões do grupo é estabelecida a base teórica de uma arte semiótica e de processos artísticos de cultura de massas. Convidado pelo reitor da Universidade Federal do Mato Grosso a fazer parte da instituição, em 1972, ali permanece 25 anos, exercendo as funções de pesquisador, editor, idealizador de projetos e programador visual. Nos 30 anos da poesia concreta, em 1986, é realizada no Rio de Janeiro, no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, uma exposição em homenagem ao poeta com antologia de sua produção poética, com curadoria de Evandro Salles. Em 2016 foi realizada no Museu de Arte do Rio (MAR) a maior exposição de obras de Wlademir Dias-Pino até então, que reuniu cerca de 800 obras e o reafirmou como artista plástico.

O poeta, “um dos mais perspicazes pesquisadores visuais no Brasil”, segundo Antonio Houaiss, faleceu no dia 30 de agosto de 2018.

No pé da página de A máquina que ri (1941):


O homem e seu paletó
E o cuidado de carregá-lo
Como seu próprio cansaço
E a fome que a solidão circula

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