Antônio
Girão Barroso
(Araripe, CE, 6.jun.1914 – Fortaleza, CE, 11.dez.1990)
Soneto
à lua
A Arthur Eduardo Benevides
Lua
Branca, como é terrível tua face
No céu
escancarada, a se mostrar aos homens
Ó
astro fluorescente, a espiar as mazelas
Surgidas
cá em baixo, ao toque das espumas.
Mulher,
ó dulçorosa, o mar te espelha tímida
Mente,
corça da noite, ó tu, lua fremente
Que
navegas ao léu, sem bússola nem norte
Lua
branca, vergel, perdida nas alturas.
Continente
de gelo, o sangue tu derramas
De
virgens sem fanal, ao jeito das marés
Que
sacodem o meu barco, a dois passos da terra
Não te
deténs, ó lua, e indiferente estás
A
brisa que se espalha, terna como carícia
ou aos
ventos tão febris, que acordam as
[madrugadas.]

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