Haroldo Barbosa Filho
(Jardinópolis,
SP, 3.jun)
Fragmentos temporais
As orelhas dos livros aguardam
respostas.
Quem escreverá a história,
Diante de tantos fatos, tantas
evidências postas?
A verdade tropeçará ao cair da tarde?
A uns e outros, ficam as apostas.
Os poetas não mudam.
Nunca tiveram casa,
Com paredes que o cerquem.
Nem terão.
Seu lugar é o tempo.
Quando as pessoas caírem em si,
Poderão virar a cabeça para trás
E ver o vazio do caminho trilhado até
então.
Não, continuarão negando, pois a
verdade ofusca suas íris.
Não cairão em si, pois já estão
rastejando e nem notaram isso.
Não verão o caminho, pois suas mentes
estão esfumadas.
Não perceberão o tempo, pois estão
enredados em sua própria dobra.
Não saberão o que é vazio, pois lhes
disseram que ali havia tudo.
Não, não chorem as lacunas deixadas
Pelos que se foram.
As flores, a um tempo tão viçosas,
Seguem seu curso,
Murcham e caem.
Avivem-se com o perfume
Por elas deixado.
Cultivem o exemplo da beleza,
A regar novos jardins,
Sobre o que outrora fora plantado.
Aos amigos,
os sabores de meus sonhos.
As únicas certezas,
em tempos estranhos.
De vãs torpezas,
gestos tacanhos.
De poucas grandezas,
entre tantos tamanhos.
Ah, meus sonhos!
A todos, suas levezas,
A transmudar olhares tristonhos.

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