Cláudio Manuel da Costa
(Mariana, MG, 5.jun.1729 – Ouro Preto, MG, 4.jun.1789)
Soneto LXXX
Quando
cheio de gosto, e de alegria
Estes
campos diviso florescentes,
Então
me vêm as lágrimas ardentes
Com
mais ânsia, mais dor, mais agonia.
Aquele
mesmo objeto, que desvia
Do
humano peito as mágoas inclementes,
Esse
mesmo em imagens diferentes
Toda
a minha tristeza desafia.
Se
das flores a bela contextura
Esmalta
o campo na melhor fragância,
Para
dar uma ideia de ventura;
Como,
ó Céus, para os ver terei constância,
Se
cada flor me lembra a formosura
Da
bela causadora de minha ânsia?

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