Fabiano Calixto

(Garanhuns, PE, 8.jun)



Abre o amanhã, camarada


Abre a manhã, camarada, com tuas mãos,

tuas próprias mãos, calejadas e sanguíneas.

Abre a manhã como a uma fruta madura

cuja doce polpa repartida alimentará a todos.

Na labuta, prepara a luta, acende o sol

que derrama luz sobre o dia material,

de café, manteiga e pão, de suor e susto,

de trabalho proletário nas fábricas do mundo.


Abre a manhã, camarada, como à janela

da casa, como ao coração antigo do bairro

– este bairro que canta o fim do Estado burguês

em cada uma de suas casas, ruas e vielas.

Como a palavra impossível (de proteína pura)

cuja substância determina sua consciência

– palavra de fogo e força que fala pela nossa classe,

palavra certeira, tiro na cabeça do zumbi.


Abre a manhã, camarada, futuro do presente,

que ilumina o muro onde garotos pixaram:

Trabalhar todos, trabalhar menos,

produzir o necessário, redistribuir tudo.

Abre o amanhã, camarada, na batalha renovada,

deixa o chorão chorar, traz azeite na peneira.

Defende o inevitável amanhã contra o horror,

como o jovem chinês que, ao lado do seu fuzil,

lê Lênin sob a sombra de uma cerejeira em flor.

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