Bernardo Taveira Júnior

(Rio Grande, RS, 5.jun.1838 – Pelotas, RS, 19.set.1892)


O boleador


E o destro campeiro na fúria indomável,

Seguindo o cavalo que vai a fugir,

As bola meneia com braço de ferro,

Enquanto as não deixa certeiras partir.


E a certa distância que mede co'a vista,

O impulso tenteia visando o bagual,

E após, lá consigo, contando com a presa,

Desprende o seu tiro terrível, fatal!


E as bolas tremendas fungando no espaço,

Lá vão zig-zigs formando no ar;

Lá vão implacáveis cair como um raio

Na frente do bicho que intenta escapar.


E as pernas das bolas o bicho mal sente

Nas mãos lhe tocarem, priscando coiceia,

E quanto mais prisca, coiceia ariscado,

Mais ele se enreda, nas bolas se eleia.


E os fortes campeiros que adoram proezas

Soltaram mil vivas naquela amplidão;

Um tiro de bolas há muito não viam

Com mais bizarria, com mais perfeição.


Eu te admiro e saúdo,

Ó destro boleador!

Mais te dera, se o pudesse

O teu modesto cantor.

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