Eduardo Sterzi

(Porto Alegre, RS, 7.jun)



Prosa de um domingo


A máquina do corpo, resumida nos sentidos,

dissolve a tempestade num cheiro de chuva:

recorda-me, qual súbita visagem

(sutilmente engastada

no tempo presente),

a dor de ser

sem ter

sido.


Nada

(nem cheiro

nem tempestade),

mesmo que reviva,

num segundo abençoado,

a sensação de uma outra vida (frágil

como a própria infância, dor secreta do poema),

pode, fugaz, dar-me a garantia de ter vivido.

Comentários