Luna Vitrolira

(Recife, PE, 1º.jun)


como um eco dos porões do navio

estão a dar com pau


por onde quer que eu passe

o mundo parece meio esclarecido


– mercado negro

– magia negra

– buraco negro

– ovelha negra

– mas que negro bonito

da cor do pecado

de traços finos


alguém disse de peito cheio

como se fosse elogio


– me respeita que eu não sou tuas nega

– seu nego safado


e se à vista não parece claro

decerto foi denegrido


como um pente desses de dente fino

que não passa


na carapinha

no mafuá

na piaçava


quando a coisa fica preta

arma branca não mata


cuidado com a lista negra

inveja branca tá liberada


se algo for proibido

carta branca é autorizada


se houver confusão

bandeira branca amor

a paz é instaurada


eu é que sou a mulata

filha de meia tigela

sem eira nem beira

nasci com um pé na cozinha

e o samba do criolo doido nas pernas

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